A Infância Passa Mais Rápido do Que a Gente Imagina
Existe uma fase da vida dos filhos que passa tão depressa que, enquanto estamos vivendo, quase não percebemos.
A infância.
Eles querem nossa atenção o tempo inteiro.
Querem mostrar um desenho.
Contar uma história que parece não ter fim.
Chamar para brincar.
Pedir que a gente veja alguma coisa que, para nós, parece tão simples.
E muitas vezes estamos ocupados.
Tem a casa para arrumar.
O trabalho.
As contas.
O celular.
As preocupações.
As coisas que parecem urgentes.
Então dizemos:
“Depois eu brinco.”
“Agora não.”
“Estou ocupado.”
“Vai brincar um pouco sozinho.”
E, na maioria das vezes, não fazemos isso por falta de amor.
Fazemos porque acreditamos que teremos tempo depois.
Mas a infância não espera.
A criança que hoje pede para você brincar de casinha amanhã pode não querer mais brincar.
A que hoje quer sentar no seu colo amanhã pode estar ocupada com os próprios amigos.
A que hoje corre para contar uma história talvez, alguns anos depois, feche a porta do quarto e queira mais espaço.
É assim que a vida acontece.
Por isso, talvez seja importante aproveitar mais aquilo que parece pequeno.
Não é preciso fazer uma grande viagem.
Não é preciso gastar dinheiro.
Não é preciso transformar cada fim de semana em um evento.
Uma caixa de papelão pode virar uma casa.
Um lençol pode virar uma cabana.
Uma sala pode virar um acampamento.
Uma tarde pode virar uma guerra de almofadas.
Uma caminhada pode virar uma aventura.
Uma receita simples pode virar uma brincadeira.
Uma noite pode ter história antes de dormir.
E uma refeição pode se transformar em uma conversa que aquela criança vai lembrar muitos anos depois.
As crianças não precisam de pais perfeitos.
Elas precisam de presença.
Precisam sentir que, de vez em quando, o mundo pode parar por alguns minutos para que alguém entre na brincadeira delas.
Talvez você não consiga brincar todos os dias.
Tudo bem.
Mas quando puder, esteja inteiro.
Deixe o celular de lado.
Sente no chão.
Entre na fantasia.
Pergunte como funciona aquele jogo.
Finja que acredita na história.
Ria.
Invente alguma coisa junto.
Porque aquilo que para um adulto parece uma brincadeira sem importância pode ser, para uma criança, uma memória que vai acompanhá-la pela vida inteira.
E existe algo ainda mais bonito:
Quando brincamos com nossos filhos, não estamos apenas criando memórias para eles.
Estamos criando memórias para nós também.
Um dia, aqueles brinquedos estarão guardados.
Aquela voz chamando “mãe” ou “pai” o tempo inteiro vai ficar mais distante.
A casa vai mudar.
Eles vão crescer.
E talvez você sinta saudade justamente daqueles momentos que um dia pareciam tão comuns.
Por isso, quando seu filho chamar você para brincar hoje, tente lembrar:
Aquela infância não vai durar para sempre.
A bagunça pode esperar um pouco.
A louça pode esperar alguns minutos.
O celular pode ficar de lado.
Mas aquela fase da vida do seu filho está acontecendo agora.
Entre na brincadeira.
Invente histórias.
Crie pequenos rituais em família.
Faça noites especiais sem precisar de motivo.
Comemore as coisas simples.
Tire fotos, mas também viva o momento.
Porque um dia você poderá olhar para essas fotografias e perceber que não eram apenas fotografias.
Eram pedaços de uma infância que nunca mais voltará.
Talvez o maior presente que podemos dar aos nossos filhos não seja aquilo que compramos para eles.
Seja aquilo que vivemos com eles.
Porque brinquedos quebram.
Roupas ficam pequenas.
Objetos desaparecem.
Mas uma lembrança de amor pode permanecer por toda a vida.
Então, enquanto eles ainda forem pequenos…
brinque.
Ria.
Invente.
Abracem-se.
Façam bagunça de vez em quando.
Criem histórias que só vocês entendem.
Porque a infância passa.
E passa muito mais rápido do que a gente imagina.